Já perguntei a muita gente se tem uma conta Gmail. A resposta é quase sempre a mesma: não.
E quase sempre, enquanto respondem, têm um telemóvel Android na mão.
Acontece-me sobretudo na sala de aula — dou aulas de TIC há sete anos — mas também fora dela, com adultos que trabalham e gerem as suas próprias coisas. Já perdi a conta às vezes.
Têm. Só não sabem que têm.
Porque é que tens uma, mesmo dizendo que não
Se tens um telemóvel Android, tens uma conta Google.
Não é uma possibilidade. É uma certeza: não se instala uma aplicação da Play Store sem conta Google. Se alguma vez descarregaste o WhatsApp, o Facebook ou um jogo nesse telemóvel, então essa conta existe — criada por ti, ou por alguém na loja, no dia em que compraste o aparelho.
Ela tem um endereço de e-mail. Tem espaço para guardar coisas. E é bem possível que nunca lá tenhas entrado.
Como descobrir a tua em dez segundos
Faz-se no telemóvel, e há dois caminhos.
Pela Play Store:
- Abre a Play Store
- Carrega na tua foto ou inicial, no canto superior direito
- O e-mail que aparece ali é a tua conta
Pelas definições:
- Abre as Definições do telemóvel
- Procura Google — ou Contas
- A conta aparece logo no topo
Escreve esse endereço num sítio seguro. É teu, e vais precisar dele.
O que estava ali à tua espera
Isto é a parte que vale o artigo.
As tuas fotografias podem deixar de se perder
É a mais importante, e a que menos gente usa.
Um telemóvel cai, molha-se, é roubado ou simplesmente deixa de ligar. Quando isso acontece, as fotografias que lá estavam desaparecem — os aniversários, os filhos pequenos, as pessoas que já cá não estão.
A tua conta Google guarda-as automaticamente, se lho pedires uma vez. Depois disso, mudas de telemóvel e elas aparecem no novo.
Como se liga: abre a aplicação Google Fotos, carrega na tua foto no canto, e procura Cópia de segurança. Liga.
Convém ligar a opção de fazer a cópia só quando houver Wi-Fi, senão gasta os dados móveis.
Um e-mail que é mesmo teu
Muita gente usa o e-mail do trabalho, ou um que a escola deu, ou um que um familiar criou.
Nenhum desses é teu. Sais do emprego e perde-lo. Acabas o curso e perde-lo. E com ele vai tudo o que lá estava — as faturas, os documentos, os registos das contas onde te inscreveste com esse endereço.
O do telemóvel é teu e não depende de ninguém.
Espaço para os teus documentos
São 15 GB, partilhados entre o e-mail, os ficheiros e as fotografias. É bastante mais do que a maioria das pessoas usa em documentos a vida inteira.
Chama-se Google Drive, e serve para o que toda a gente anda a fazer mal: mandar documentos a si próprio por WhatsApp para não os perder.
Ali ficam guardados, e abres-os do telemóvel ou de qualquer computador — sem levar nada, sem pen, sem cabo.
E, já agora, as reuniões
Numa aula online que dei há dias, uma pessoa carregou no link, ficou à espera, e passados uns minutos desistiu. Saiu a pensar que a ligação estava avariada.
Não estava. Ela não tinha aceitado o convite — porque não sabia com que conta o havia de aceitar.
Quando alguém te convida para uma reunião online e tu aceitas o convite com a tua conta, entras direto na sala. Quem só carrega no link fica numa sala de espera, à espera que o organizador repare — e se ele estiver a dar uma aula, pode não reparar.
E se o teu e-mail não for do Gmail?
Se é da escola ou de uma empresa, experimenta iniciar sessão em google.com com ele. Muitas instituições usam o sistema da Google por trás, e nesse caso esse endereço é uma conta Google.
Se é um Hotmail, um Yahoo, ou outro qualquer, continua a servir para receber e-mails — mas não te dá nada do que está aqui em cima. Para isso, usa a conta do telemóvel.
Não é preciso deixar de usar o que já usas. Podes ter os dois. O que não deves é ter só o que não é teu.
Uma última coisa
Se leste até aqui e descobriste que tinhas uma conta que não sabias, não te sintas mal. Ninguém te disse.
O telemóvel foi configurado à pressa numa loja, alguém escreveu uma palavra-passe que tu não viste, e a partir daí aquilo funcionou sozinho. Nunca houve um momento em que alguém te sentasse e te explicasse o que tinhas na mão.
O problema nunca foste tu — foi a forma como te ensinaram.
